Desatualização nas bases do TSE e abstenção eleitoral

Uma análise do efeito do recadastramento biométrico sobre as taxas de abstenção no Rio Grande do Sul

07 Oct 2016 por Fernando Meireles


Aproveitando os dados do TSE-RS, que divulgou uma lista completa dos municípios que passaram pelo recadastramento biométrico até esse ano, resolvi investigar se a biometria realmente afetou as taxas de abstenção nestas eleições.

O gráfico abaixo ilustra essa diferença entre municípios que passaram ou não pelo recadastramento. Como dá pra ver, a taxa de abstenção média nos municípios que passaram a usar o sistema de biometria cai visivelmente depois de 2014 no Rio Grande do Sul (quando a maior parte dos municípios fez o cadastramento).

Quando removemos os efeitos temporais e entre casos via um modelo de regressão com efeitos fixos, este efeito fica ainda mais nítido:

Especificamente, o efeito estimado é de cerca de 4.5% (estimado com um modelo diff-in-diff), o que significa que, na média, a taxa de abstenção no estado estava inflada em quase 50% (ela foi de cerca de 10% em 2012 na média dos municípios, embora Porto Alegre e região tenham tido abstenção maior). Em outras palavras, removendo os eleitores fantasmas, a abstenção caiu quase pela metade.


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