Desempenho das pesquisas eleitorais no segundo turno

Alguns comentários sobre as predições eleitorais no segundo turno e sobre como interpretar pesquisas

31 Oct 2016 por Fernando Meireles


Apesar das invariáveis críticas que os institutos de pesquisa recebem toda eleição (vide aqui, por exemplo)[1], neste segundo turno o desempenho deles, – ao menos o de alguns deles –, não deixou a desejar.

Como já havia postado no Twitter, o instituto Ibope, por exemplo, acertou, dentro da margem de erro (os 3 ou 4 tradicionais pontos para mais ou para menos), os resultados em 15 das 18 capitais onde realizou pesquisa entre os dias 25 e 28 de outubro. Nos três casos onde chutou a bola fora, os erros foram pequenos – caso de Porto Alegre, Florianópolis e Maceió. Apenas em uma capital, Aracaju, o Ibope errou o resultado da eleição, onde a previsão era de que o candidato do PSB, Valadares Filho, ficaria na frente de Edvaldo Nogueira, do PC do B, por 2% de votos válidos. Como a previsão já era de resultado apertado, e o instituto acertou o resultado dentro da margem, este é um caso residual entre as capitais pesquisadas.

Dois outros casos ilustram o desempenho dos institutos de pesquisa – agora incluindo Datafolha, Paraná Eleitoral e CP2. Os gráficos abaixo mostram o retrospecto de todas as pesquisas feitas no segundo turno no Rio de Janeiro, onde Crivella (PRB) enfretou o Freixo (PSOL), e em Belo Horizonte, onde Leite (PSDB) competiu contra Kalil (PHS), por estes institutos. Nos gráficos, cada ponto é a percentagem de intenção de votos (incluindo, portanto, não-válidos) de cada candidato estimada por cada pesquisa (em outras palavras, cada data de pesquisa, no eixo X, representa uma pesquisa eleitoral); a curva (ou linha) representa a tendência geral destas pesquisas, estimadas via LOESS; e as áreas mais claras ao redor das curvas representam os intervalos de confiança de 95%.

Duas coisas merecem comentários em relação a esses dados:

De resto, cabe notar que pesquisas eleitorais, com todos os seus defeitos, são extremamente úteis. Quando bem interpretadas e tomadas em conjunto, podem nos dizer com bastante grau de certeza os resultados de uma eleição – vide o retrospecto do 538, nos EUA.

[1] Eu mesmo já critiquei, e ainda tenho ressalvas contra, as pesquisas eleitorais brasileiras por conta do uso de amostra por quotas. Um bom resumo do sistema, e uma crítica às margens de erro que os intitutos calculam para elas, pode ser visto aqui.


« Desatualização nas bases do TSE e abstenção eleitoral
electionsBR: uma nova versão (0.2.0) »